Furto de hidrômetros dispara em Manaus; reposição gratuita é lei
Aparelhos são fabricados com plástico e poucas peças metálicas para desestimular revenda
Uma onda de furtos de hidrômetros, equipamento responsável por medir o consumo de água nos imóveis, tem afetado o abastecimento de residências em Manaus, causando prejuízos com vazamentos. A prática criminosa é frequentemente associada à tentativa de venda ilegal de partes metálicas do equipamento.
Para Marcelo Lima, presidente da Associação de Moradores do bairro Coroado, muitos furtos são cometidos por pessoas em situação de rua ou dependentes químicos.
“Eles monitoram a rotina dos moradores e às vezes fingem estar catando lixo para saber o momento de agir. Muitos fazem isso para sustentar vícios. Além disso, eles danificam canos durante os furtos, causando vazamentos e deixando casas sem água”, relatou.
Diante da insegurança, moradores buscam alternativas. Moradora do bairro Coroado, Jussara Silva, 42, afirma que a vizinhança tem instalado grades e câmeras. “Apesar da substituição em caso de furto ser gratuita, quando eles levam os hidrômetros acaba dando prejuízo, ficamos sem água até virem trocar. Além disso, a sensação de insegurança e impotência aumenta”, disse.
Ela também relatou ações de vigilância em conjunto com a associação: “Conseguimos fazer com que a polícia passe mais vezes pelas ruas, uma segurança a mais na comunidade. Também contratamos o serviço de um vigilante particular, que faz rondas noturnas. Ainda assim, vemos que esses criminosos conseguem efetuar os furtos”.
Em setembro, câmeras de segurança flagraram um homem furtando o hidrômetro de uma casa no Conjunto Águas Claras, zona centro-sul. A residência, onde mora uma pessoa com deficiência visual, já havia sido alvo do mesmo crime em 2024. Outro caso foi registrado em maio, no bairro Coroado, zona Leste.
Revenda do equipamento
De acordo com a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), criminosos costumam furtar hidrômetros em busca de cobre e alumínio. No entanto, atualmente os aparelhos são fabricados majoritariamente com plástico e poucas peças metálicas, o que reduz o valor comercial e desestimula a revenda.
Segundo o delegado Marcos Arruda, do 11º Distrito Integrado de Polícia (DIP), não há uma atribuição nas delegacias para a investigação de crimes específicos do gênero. “Tratamos os casos apenas como furto, apesar de ser algo bem recorrente. Notamos que esse ano foram quase 30 ocorrências de furtos de hidrômetros na capital, o que acende um alerta à população. Fazemos a divulgação dos suspeitos quando há imagens e realizamos investigações para capturar os indivíduos”, disse o delegado.
A PC-AM também recomenda a instalação de caixas com tela metálica ao redor do equipamento para dificultar a ação dos criminosos sem impedir a leitura do consumo.
Legislação
Para proteger o consumidor, a Lei nº 5.900/2022, de autoria do deputado Roberto Cidade (UB), obriga a concessionária Águas de Manaus a repor gratuitamente os hidrômetros furtados em até 48 horas após o registro do crime.Segundo a concessionária, cada substituição custa cerca de R$ 192,49, mas não há repasse de cobrança ao cliente. A empresa afirma que “prioriza a reinstalação o mais rápido possível, sem afetar o abastecimento de água”. O atendimento pode ser solicitado pelo telefone 0800-092-0195 (WhatsApp e SAC), pelo site aguasdemanaus.com.br ou pelo aplicativo Águas APP.O que fazer em caso de furto?• Registrar um Boletim de Ocorrência (BO) presencialmente ou pela Delegacia Virtual;• Acionar a concessionária para solicitar a substituição gratuita;• Denunciar suspeitos através do 181 ou (92) 98558-1111 (Disque-denúncia do 11º DIP).

