‘Consórcio do tráfico’: operação prende cinco pessoas no AM e bloqueia R$ 4,8 milhões
O esquema usava uma sofisticada logística fluvial no Rio Solimões para abastecer mercados no Pará e em outras regiões do país
As Polícias Civis do Amazonas (PC-AM) e do Pará (PCPA) deflagraram, nesta terça-feira (20/01), uma ofensiva contra uma organização criminosa de alta periculosidade especializada no tráfico de drogas em larga escala. A Operação Iara mobilizou sete estados brasileiros, resultou no bloqueio de R$ 58 milhões em ativos financeiros do grupo, sendo R$ 4,8 milhões apenas no Amazonas. O esquema utilizava uma sofisticada logística fluvial no Rio Solimões para abastecer mercados no Pará e em outras regiões do país.
Ao todo, 27 pessoas foram presas, sendo cinco no Amazonas. Os mandados foram cumpridos em Manaus, Santo Antônio do Içá e Urucará. Simultaneamente, outros 53 investigados foram alvo da operação nos estados do Pará, Alagoas, Rio de Janeiro, Ceará, São Paulo e Amapá. Ao todo, foram expedidos 67 mandados de busca e apreensão, 27 prisões preventivas e 18 medidas cautelares.
As investigações, que duraram dois anos, revelaram que a quadrilha não operava no varejo, mas sim em um modelo de “consórcio” logístico. Segundo o delegado Luís Bezerra de Menezes, do Pará, o grupo utilizava lanchas rápidas blindadas com motores de alta potência e barcos de grande porte para evitar fiscalizações.
“Pelo Rio Solimões, os criminosos transportam a droga através de um consórcio, onde a carga é distribuída para outros estados, destinada aos compradores. Uma pessoa foi presa em Manaus e outra em São Paulo, ambas ligadas ao núcleo logístico do esquema”, detalhou o delegado do Pará.
Um dos pontos centrais da logística era um sítio de alto padrão localizado em Iranduba, descrito pelas autoridades como um ambiente de luxo.
“O alvo principal tinha diversos locais de referência, dentre eles um sítio parecido com um resort, nas proximidades de Iranduba, mostrando o poder que ele tem em relação ao dinheiro. Nesse local, apreendemos cinco lanchas de luxo”, revelou o delegado Rodrigo Torres, diretor do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc).
Drogas apreendidas
A operação também resultou na apreensão de 250 quilos de cocaína, armamentos de grosso calibre, como espingardas calibre 12, e o sequestro de imóveis e veículos. O prejuízo estimado ao crime organizado supera os R$ 18 milhões.
Embora o principal mentor da organização continue foragido, a PC-AM e a PC-PA reforçaram que a cooperação interestadual, com apoio da Receita Federal e unidades de elite como a Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais, o Departamento Integrado de Operações Aéreas.

