Operação desarticula pirâmide financeira que movimentou R$ 75 milhões entre AM e RJ
Oito integrantes da organização que captava servidores públicos para empréstimos fraudulentos foram presos. Outras três pessoas estão foragidas
A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), com o apoio de forças de segurança do Rio de Janeiro, deflagrou a “Operação Negócio Turvo”, desarticulando uma organização criminosa interestadual especializada em pirâmides financeiras. O grupo utilizava a empresa Virtus Financeiros, antiga Lotus, como fachada para movimentar aproximadamente R$ 75 milhões entre os dois estados.
Segundo o delegado Leonardo Marinho, titular do 25º Distrito Integrado de Polícia (DIP), os criminosos utilizavam dados de portais da transparência para identificar funcionários públicos com margem de crédito disponível.
“A organização é voltada à prática de crimes de estelionato, lavagem de capitais, falsidade ideológica e delitos contra o sistema financeiro. A captação de clientes era feita por consultores, muitos deles ex-funcionários de outra empresa já investigada por prática semelhante”, explicou o delegado, em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (25/02).
Segundo o delegado, o esquema funcionava através da falsa promessa. “A empresa convencia as vítimas a contrair empréstimos consignados de alto valor e transferir o montante para o grupo. Em troca, a empresas Virtus prometia quitar as parcelas e ainda repassar um lucro adicional”, detalhou a autoride policial.
“Após honrar os primeiros pagamentos para dar credibilidade ao sistema, a organização interrompia os repasses, deixando as vítimas com dívidas bancárias massivas. Quando cessava a entrada de novos investidores, o sistema entrava em colapso”, contou o responsável pela operação em Manaus.
Investigações
De acordo com Marinho, as investigações duraram mais de um ano e tiveram início a partir de boletins de ocorrência, oitivas de testemunhas e ex-funcionários, que identificaram uma estrutura dividida em núcleo diretivo, operacional e de lavagem de dinheiro.
“Relatórios de inteligência financeira, análises de vínculos e laudos técnicos embasaram o pedido de prisão preventiva, deferido pela Justiça diante da gravidade dos crimes. Há estimativa inicial de ao menos 100 vítimas, número que pode crescer, já que cada consultor tinha metas de captação; em uma única pasta analisada, um consultor teria movimentado cerca de R$ 3 milhões”, afirmou o titular do 25º DIP.
Prisões e apreensões
Durante a operação, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em nove residências e três empresas de Manaus, incluindo alvos em condomínio no bairro Parque 10 de Novembro, zona Centro-Sul, e uma empresa no Rio de Janeiro.
Ao todo, 32 veículos, sendo 28 carros e quatro motocicletas, foram apreendidos e encaminhados à Delegacia Geral da PC-AM, além de armas de fogos, munições, notebooks, celulares, pendrives, HDs e vasta documentação, que passará por perícia.
Oito pessoas foram presas preventivamente durante os desdobramentos da operação: Adrião Severiano Nunes Junior; Bruno Muniz Rodrigues; Carla Castro da Silva; Gabriel Azevedo da Fonseca; João Pedro Guimarães de Araujo; Raquel Souza da Silva; Tayana Graça da Silva Ale; e Tony Philip Ferreira da Silva.
Procurados
Segundo a Polícia Civil do Amazonas, três alvos seguem foragidos, incluindo Anderson Ricardo Lima dos Santos, o “Anderson Bandeira”. Conhecido nas redes sociais como pastor e pré-candidato a deputado estadual pelo PL-AM, Bandeira é apontado como um dos articuladores do esquema.
Além de Bandeira, também estão sendo procurados pela polícia: Carlos Augusto Freitas e Emanuelle Ramos. Um deles estaria residindo na Inglaterra e a polícia não descarta acionar a Interpol, diante do possível desdobramento internacional.

