Médico é indiciado após morte de bebê durante cirurgia de fimose no interior do AM
A mãe a criança atribui que a morte foi causada por um erro na dose de anestesia aplicada pelo médico
O médico Orlando Ignacio Aguirre foi indiciado pelo crime de homicídio culposo pela morte de Pedro Henrique Falcão Soares Lima, de apenas 1 ano e 3 meses. O óbito ocorreu em dezembro de 2025, no Hospital Municipal Maternidade Eraldo Neves Falcão, em Presidente Figueiredo (a 117 quilômetros de Manaus), durante um procedimento de fimose. As informações são do Toda Hora.
O inquérito da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) revela que o profissional atuava sem o Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em anestesiologia na data do ocorrido, título que teve o registro negado pelo Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam-AM) em março deste ano.
A investigação detalha uma sucessão de negligências, incluindo a ausência de um capnógrafo para monitorar a respiração do bebê e a falta de avaliação pré-anestésica. Segundo a mãe da criança, Stefany Falcão Lima, houve erro na dosagem e inércia do profissional diante da crise, relatando que o médico não buscou ajuda quando os sinais vitais do bebê caíram.
Além disso, a Polícia Civil apontou que o hospital não comunicou oficialmente a morte da criança às autoridades no dia do caso. A investigação também considerou inadequado o fato de a Declaração de Óbito ter sido assinada pelo próprio médico investigado, situação classificada como possível conflito de interesses no andamento do caso.
Laudo e próximos passos
O laudo do IML apontou causa indeterminada, pois a exumação, realizada 30 dias após o sepultamento, encontrou o corpo em decomposição avançada, o que impediu exames toxicológicos. Contudo, o documento confirmou o uso de medicamentos como atracúrio, ketamina e propofol antes da queda fatal dos sinais vitais.
Com a conclusão do inquérito, o caso será encaminhado ao Ministério Público do Amazonas (MPAM), que decidirá se apresenta denúncia formal à Justiça. A defesa da família da vítima anunciou que pedirá a alteração da denúncia para dolo eventual, argumentando que, ao operar sem qualificação oficial e em ambiente inadequado para pediatria, o médico assumiu o risco de causar a morte.
O médico pediu exoneração do hospital após o episódio e sua defesa ainda não se manifestou. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

