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Despejo do Bar do Armando é suspenso temporariamente pelo TJAM

Desembargador argumenta necessidade de preservar o resultado útil do processo e evitar risco de dano irreversível

Está suspensa temporariamente a ordem de despejo do Bar do Armando, tradicional estabelecimento localizado no Largo de São Sebastião, no Centro Histórico de Manaus. A decisão foi assinada pelo desembargador Airton Luís Corrêa Gentil, vice-presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) e repercute nesta quarta-feira (15/07) após mobilizações da proprietária nos últimos dias .

Com a medida, o cumprimento da desocupação fica interrompido até o julgamento definitivo de um Agravo Interno apresentado pela empresa Casa Nossa Senhora de Nazaré Ltda., responsável pelo bar.

O processo envolve uma ação de despejo para uso próprio movida pela Diocese do Alto Solimões, proprietária do imóvel onde o estabelecimento funciona há décadas. A disputa judicial começou após a Diocese solicitar a retomada do espaço, alegando interesse em utilizar o imóvel.

Na decisão, o desembargador afirmou que, em análise inicial, havia necessidade de preservar o resultado útil do processo e evitar risco de dano irreversível até que o caso seja apreciado pelo órgão colegiado competente. Por isso, deferiu provisoriamente o pedido da defesa para suspender o cumprimento da ordem de despejo.

A decisão interrompe, por ora, uma determinação da 18ª Vara Cível e de Acidentes de Trabalho de Manaus, que havia autorizado o despejo e estabelecido prazo de 15 dias para a desocupação voluntária do imóvel. A ordem também previa possibilidade de cumprimento coercitivo, com apoio policial, caso a saída não ocorresse dentro do prazo.

Mobilização

O possível despejo do Bar do Armando ganhou repercussão nos últimos dias e mobilizou artistas, frequentadores, representantes do setor cultural e defensores da preservação da memória de Manaus.

Fundado pelo português Armando Soares, o bar se consolidou como ponto de encontro de músicos, jornalistas, intelectuais, turistas e gerações de amazonenses. O espaço é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Amazonas.

Na segunda-feira (13), a proprietária e administradora do estabelecimento, Ana Cláudia Soeiro Soares, fez um apelo público pela permanência do bar no endereço onde funciona há mais de seis décadas.

A defesa do estabelecimento estima que o julgamento do recurso ocorra em aproximadamente três meses. Enquanto isso, representantes do Bar do Armando marcaram para esta quarta-feira (15), às 19h30, uma manifestação em frente ao estabelecimento, no Largo de São Sebastião, em apoio à permanência do espaço no local.

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