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Oruam diz que Marcinho VP não é monstro e que ele sempre foi exemplo: ‘Ótimo pai’

O rapper Oruam falou pela primeira vez à televisão neste domingo (30/3), em entrevista ao jornalista Roberto Cabrini no programa “Domingo Espetacular”, da Record. A conversa foi realizada na mansão do artista no Rio de Janeiro, e incluiu uma visita ao Morro do Alemão, onde ele cresceu.

Durante o encontro, o cantor comentou sua trajetória na música, o impacto de ser filho do traficante Marcinho VP e a realidade social das favelas. Ao defender o pai, que cumpre pena por tráfico de drogas, Oruam declarou: “Dizem que ele é o líder [do tráfico], mas na verdade ele nem é. Ele foi preso com 19, 20. Não tem como ele, com 20 anos, ser esse monstro”.

Relação com o pai

Oruam afirmou que, apesar do histórico criminal, considera Marcinho VP um exemplo de pai, justamente por tê-lo afastado do crime. “Meu pai me ensinou o caminho certo. Sabia que tinha que trabalhar, estudar, seguir o caminho certo”, disse.

“É um ótimo pai, um exemplo de pai para mim. Meu tudo. Ele tentou o tempo todo esconder a gente da favela, tirar a gente do morro. Se eu fosse escolher o pai que tenho, escolheria meu pai”, completou.

Origens e música como salvação

Com sucessos como “22 Meu Vulgo” e “Lei Anti O.R.U.A.M.”, o artista afirmou que construiu sua carreira sem depender de terceiros. “Foi tudo com minha música. Eu não tinha nada antes”, declarou.

Oruam reconheceu que, em algum momento da juventude, chegou a se sentir atraído pelo crime: “Qualquer jovem no Rio de Janeiro já olhou pro crime. O crime deslumbra”. Mas garantiu que seguiu outro caminho por influência familiar e por querer vencer com a própria arte.

“Sou um contestador. Não vim aqui ser só mais um. Vim falar o que eu penso, pelos favelados. Se os presos não têm voz, se meu pai não tem voz, vou fazer uma música para os presos”, afirmou.

Resposta à polêmica da Lei Anti-Oruam

O artista também comentou a polêmica em torno do projeto de lei apelidado de “Lei Anti-Oruam”, que busca proibir contratações públicas de artistas acusados de fazer apologia ao crime.

Oruam refutou a acusação: “Não existe apologia ao crime. Eu canto a minha realidade”. E afirmou que não pretende dialogar com a deputada que propôs o texto. “Nem quero. Não tem como ela entender minha realidade, ela não vem de onde eu vim”.

“É o fardo que vou carregar para o resto da minha vida”, disse, sobre ser constantemente associado ao pai.

Planos e amadurecimento

Na parte final da entrevista, o rapper reconheceu que precisa amadurecer. “A única responsabilidade que carrego é com meus fãs. Tenho que parar de ser só moleque mesmo e levar a vida a sério”, refletiu.

Segundo ele, sua missão é representar aqueles que vivem à margem. “O Brasil é isso: o funk, o rap, o pagode, o samba. É o povão. Eu canto a realidade das favelas: a pobreza, a desigualdade. Falta oportunidade. Enquanto o último daqui não vencer, eu também não venci”.

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