Justiça revoga prisão de policial suspeito de facilitar roubo de R$ 45 milhões em ouro
Liberdade foi concedida após 28 dias de cárcere, fundamentada na fragilidade dos indícios de culpa diante das provas levadas aos autos do processo
A Justiça do Amazonas concedeu liberdade ao investigador da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), Luciano de Souza Grangeiro, revogando sua custódia preventiva nesta terça-feira (07/06). Um dos alvos da Operação “Piloto de Fuga”, deflagrada no dia 9 de junho, o agente é investigado pela suspeita de fraudar e facilitar o desvio de 77 barras de ouro ilegal. A carga milionária, avaliada em R$ 45 milhões, foi encontrada pela polícia em outubro de 2025, sendo a maior apreensão do metal precioso na história do Amazonas.
Na decisão, o juiz federal Thadeu José Piragibe Afonso entendeu que a manutenção da prisão cautelar não se justificava diante do atual estágio das investigações e dos elementos apresentados pela defesa. O magistrado destacou que a demora na conclusão do inquérito não poderia ser atribuída ao investigado e ressaltou que a própria colaboração da defesa tornou a apuração mais complexa.
“A demora não pode ser imputada à defesa. Ao contrário, a postura colaborativa do investigado, ao apresentar elementos probatórios que, a princípio, fragilizaram os indícios de autoria que pesavam contra si, tornou a investigação mais complexa. Contudo, a complexidade do caso, ainda que justifique uma maior dilação, não pode servir de pretexto para a manutenção sine die da custódia cautelar, que acaba por se transmudar em inaceitável antecipação de pena”, diz trecho do despacho.
A revogação da prisão ocorreu após 28 dias de cárcere, fundamentada na fragilidade dos indícios de culpa diante das provas levadas aos autos do processo.
O investigador Luciano Grangeiro foi preso em sua residência, localizada no condomínio Quinta das Laranjeiras, no bairro Parque das Laranjeiras, zona Centro-Sul de Manaus. Além do mandado de prisão, a operação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão, sendo três em imóveis ligados ao investigador e um nas dependências do 1º Distrito Integrado de Polícia (1º DIP), onde ele era lotado.

Álibi apresentado pela defesa
Desde o início da investigação, a defesa do investigador, representada pelo advogado Davi Martins da Silva Junior, sustentou que o policial não participou do crime e apresentou álibis para contestar as acusações. Conforme os advogados, imagens e outros elementos demonstrariam que, no horário dos fatos investigados, Luciano estava em casa e teria saído apenas para buscar os filhos em uma academia próxima à residência. A defesa também reforça que as buscas nos imóveis e no 1º DIP terminaram sem a apreensão de nenhum objeto incriminador.
Outro fato citado pela defesa ocorreu durante os 28 dias em que Luciano permaneceu preso. Segundo os advogados, um homem que se apresentou espontaneamente à Justiça, identificado como policial militar, declarou ser o verdadeiro motorista do veículo investigado no dia dos fatos, e afirmou que o investigador não teve qualquer envolvimento na ocorrência. Essas informações passaram a integrar o inquérito antes da revogação da prisão preventiva.
Em nota, o advogado Davi Martins da Silva Junior afirmou que a defesa sempre confiou que a Justiça reconheceria a consistência dos elementos apresentados.
“Sempre acreditamos que os álibis demonstrariam a não participação do investigador nos fatos apurados. Permanecemos confiantes de que, ao final das investigações, qualquer dúvida será afastada e sua inocência ficará plenamente comprovada.”
Caso segue em investigação
Apesar da decisão favorável de responder ao processo em liberdade, Luciano de Souza Grangeiro continua formalmente integrado ao inquérito. A revogação da prisão preventiva não encerra o caso, nem representa um julgamento definitivo sobre sua responsabilidade.
A defesa informa ainda que aguardará o desfecho das apurações para avaliar possíveis medidas judiciais relacionadas aos impactos causados pela divulgação da imagem do investigador em veículos de comunicação e redes sociais, alegando que a exposição teria provocado prejuízos à reputação do policial.

