Rodoviários fazem paralisação em Manaus pelo fim da escala 6×1
Manaus amanheceu, nesta quarta-feira (27/05), com as frotas do transporte coletivo e de rotas do Distrito Industrial paralisadas em protesto contra a escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias para ter apenas um de descanso. A mobilização foi organizada por diversas entidades sindicais, entre elas a dos Rodoviários. A paralisação teve duração de duas horas e a frota já voltou a circular.
O ato começou por volta das 6h e afetou a circulação de ônibus em diferentes regiões da capital, com maior impacto no Centro de Manaus e nas linhas que atendem o Distrito Industrial. Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram ônibus parados em vias importantes, como a avenida Constantino Nery, além do Terminal 1 parcialmente bloqueado por veículos e trabalhadores.
Segundo os organizadores, a paralisação teve duração aproximada de duas horas e serviu como forma de pressionar o Congresso Nacional pela aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê mudanças na jornada de trabalho no país.
“Estamos aqui lutando pelo fim da escala 6×1. Vamos parar por duas horas os transportes públicos em todos os terminais de Manaus. Queremos a votação da PEC imediatamente e sem negociações. 5×2 já!”, afirmou o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Givancir Oliveira, em vídeo divulgado pela categoria.
A mobilização contou com apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT), do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Material Plástico de Manaus e do Estado do Amazonas (Sindplast), do Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindipetro-AM) e do Sindicato dos Metalúrgicos.
Normalização da frota
Procurado pela reportagem, o presidente do Sindicato dos Rodoviários informou que a paralisação foi encerrada ainda durante a manhã e que os trabalhadores retornaram às atividades. A expectativa é de que o sistema de transporte coletivo seja normalizado até o fim da manhã.
Sinetram diz que foi surpreendido
Em nota, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) afirmou que foi surpreendido pela paralisação, realizada, segundo a entidade, “sem qualquer aviso prévio à população, às empresas operadoras e às autoridades competentes”.
O sindicato patronal também destacou que o movimento desrespeita uma decisão liminar do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), que determina a manutenção mínima da operação do transporte coletivo por se tratar de um serviço essencial.
Sobre a PEC
A paralisação ocorreu no mesmo dia em que deve voltar à discussão, no Congresso Nacional, a PEC 221 que trata do fim da escala 6×1. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou na terça-feira (26) que a expectativa é votar até quinta-feira (28), em plenário, a proposta de emenda à Constituição (PEC).
Nesta semana, o relator da PEC, deputado Léo Prates (Republicanos-BA), apresentou parecer prevendo a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem redução salarial, com implementação em até 14 meses após a promulgação da proposta.
O debate foi temporariamente adiado com após pedido de vista na Câmara dos Deputados.

