Três guardas municipais são indiciados por morte de jovem na Compensa
O crime aconteceu na madrugada de 26 de fevereiro
O inquérito que investiga o assassinato de Bruno Girão Santos, de 22 anos, foi concluído com o indiciamento de três agentes da Guarda Municipal de Manaus (GMM) por homicídio. O relatório da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), encaminhado na última terça-feira (06/05) ao Poder Judiciário e ao Ministério Público do Amazonas (MPAM).
O documento aponta Guilherme Pinheiro Braide, Hawan Lima Aguiar e Ataíde Fernandes Romeiro Junior como responsáveis pelo crime ocorrido em fevereiro deste ano, no bairro Compensa, zona Oeste da capital.
A investigação derrubou a narrativa inicial da corporação, que afirmava ter encontrado o jovem já ferido após atender uma denúncia de disparos no beco União. De acordo com o laudo pericial, os exames residuográficos deram positivo para partículas de chumbo (combustão de arma de fogo) nas mãos de Hawan Aguiar e Ataíde Romeiro.
Embora o teste de Guilherme Braide tenha sido negativo, a polícia concluiu que há elementos suficientes para responsabilizar o trio, ressaltando que “não foram identificadas causas que justificassem a ação”.
Busca por transparência e justiça
Em nota, a advogada da família, Nicolly Cavalcante Menezes, classificou o indiciamento como “um marco importante” na busca por justiça. A defesa também criticou duramente a postura da instituição municipal durante o processo.
“Houve forte sentimento de ausência de transparência e insuficiência de informações claras por parte da Guarda Municipal de Manaus, circunstância que contribuiu para ampliar a angústia da família e da sociedade diante da gravidade dos fatos investigados”, diz a nota.
Ainda segundo a assistência de acusação, o objetivo da família não é buscar “condenações antecipadas”, mas garantir que todos os fatos sejam esclarecidos dentro do devido processo legal.
“O indiciamento não encerra esta caminhada. Ele apenas confirma que existiam elementos suficientemente graves para que a investigação avançasse formalmente. A luta pela memória, pela honra e pela justiça em nome de Bruno Girão continua”, concluiu a defesa.
Versão da família
O crime aconteceu na madrugada de 26 de fevereiro, quando Bruno retornava do trabalho e entrou no beco para encontrar um amigo. Na época do crime, uma tia da vítima relatou que a execução foi presenciada por vizinhos: “A população toda viu, tem testemunhas, vizinhos que escutaram os tiros. Eles deram dois tiros. Eles balearam meu sobrinho pelas costas e agora ele está lá morto”, declarou à imprensa, na época.
A morte gerou revolta e protestos com queima de pneus na Avenida Brasil, principal via do bairro. A família contesta veementemente a versão da GMM, que alegou ter apenas prestado socorro ao jovem, que morreu horas depois no hospital com uma perfuração no tórax.
Até o momento, a GMM não informou se os agentes foram afastados ou se sofreram sanções administrativas. O caso agora tramita na Vara do Tribunal do Júri de Manaus, onde os indiciados responderão pelo crime doloso contra a vida.

